Ser eleito deputado ou vereador

Muita gente passa longos meses procurando por oportunidades estáveis, capazes de garantir qualidade de vida e um futuro formidável a uma família. Uma das formas mais comuns – e dignas – de se fazer isso é a partir de concursos públicos. Há cidades, como Brasília, cujo mercado de trabalho é composto, em esmagadora maioria, por funcionários concursados. Assunto, aliás, que merece um textinho só para ele,

No entanto, muita gente enxerga Brasília ou outro ambiente governamental com outros olhos: deve ser moleza virar parlamentar ou legislador num país como o nosso, onde basta apoio da comunidade, membros de gabinete capazes e envolvimento político – entenda como quiser. De quebra, como vimos esta semana, a turma pode votar por temas favoráveis. A eles mesmos, é claro: que tal um aumento de 61% de ordenado? O que girava em torno de R$ 16 mil passou para R$ 26 mil! Uma delícia, não?

Como virar um? Poderia fazer uma lista extensa de predicados capazes de definir um parlamentar competente, elencando atributos ligados à presença social, sensibilidade, coerência com seu histórico e partido, entre outras. Mas depois de assistir a Tiririca receber mais de um milhão de votos – e declarar, ironicamente, que “mal chegou e já teve sorte” graças ao seu novo salário, tudo o que podemos dizer é: com algum investimento de campanha, qualquer um, no atual esquema, pode virar um parlamentar.

Algum problema nisso? Em tese, vivemos numa nação democrática, onde temos liberdade tanto para postularmos uma candidatura quanto escolhemos quem quisermos como representante. Situações como a votação de qualquer bizarro ou votações discutíveis nos faz pensar se estamos escolhendo as pessoas certas; se existem pessoas certas; ou se o que de fato interessa é o meu, e não o nosso. Nesse caso, o problema é mais fundo.

Agora, não seria lindo se um dia o voto fosse facultativo? Toda essa turma teria que rebolar muito pra fazer com que eu saísse de casa num domingo para digitar seus números numa urna.

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