Marketing multinível (ou pirâmides?)

Há algum tempo escrevi sobre isso, e o volume de comentários do texto não nega a polêmica: existe uma modalidade que, de fato, chama a atenção de muita gente em busca de dinheiro extra em com alguma facilidade. Empresas como as revendedoras de cosméticos por consignação criam redes horizontais, onde cada ponto possui tratamento similar, chances iguais de retorno e, por consequência, possibilidades de transmitir com clareza a mensagem da empresa. Outras, no entanto, estabelecem níveis distintos.

Claro que é possível ganhar dinheiro indicando aquilo que gosta (premissa do “marketing de rede”). Mas o perigo mora no escalonamento. Num sistema multinível, você compra o produto de um distribuidor e, além de revender, deve “recrutar” mais distribuidores. Quanto mais pessoas abaixo de você, em diferentes escalas, mais dinheiro você ganha. Outra modalidade comum: ao invés de oferecer algum produto, você distribui mala direta. Para isso, compra um kit e paga taxas iniciais. Para ter retorno, também é necessário arrebanhar mais pessoas.

Mas… Tem diferença? Há uma diferença clara envolvendo inúmeras modalidades de venda direta (que, inclusive, mantém uma associação séria). O problema é o discurso empreendedor embutido em todos estes negócios: independente do sistema, você vai ver que “é preciso mentalidade vencedora, ser bem relacionado, ter comunicabilidade, força de vontade”, entre outras observações pertinentes – e que servem para qualquer pessoa interessada em abrir e manter seu próprio negócio. Agora, uma coisa é estimular boas práticas; outra é assumir uma postura evangelizadora.

E onde está o alerta? Pra começar, qualquer empresa que comece dizendo que “esse poderoso conceito, que transcende o marketing tradicional, é o futuro das corporações, o MLM, o MN, o MR e o MMN não tem nada a ver com sistemas piramidais” merece cautela: se é diferente, precisa explicar? O discurso permanece afiado: “você não sabe do que está falando, ou o tamanho da oportunidade, por isso vai continuar com sua vidinha pequena”. Não duvido realmente que, os empreendedores que começaram o esquema, estão no topo da escala, possuem extremo carisma e persuasão, podem realmente ganhar algo. Agora, qualquer modalidade que demanda uma progressão geométrica de distribuidores e não aceita críticas merece, no mínimo, cautela.

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