Fazer qualquer coisa por dinheiro

O ano está no fim e a experiência antropológica, relacionada a manutenção deste discreto blog a respeito de um tema altamente propagado pela rede, revela um lado humano pouco atraente: se considerarmos “dinheiro” um atributo capaz de manter a sobrevivência de uma espécie (a humana, em algumas culturas), alguns indivíduos são capazes de fazer qualquer coisa por dinheiro.

A overdose de notícias “tocando o terror” na mídia (assaltos, sequestros ou mesmo assassinatos) nos deixam anestesiados. É como se, infelizmente, fosse algo extremamente comum. Mas quando a gente pensa que nada mais é capaz de nos surpreender. Em seis meses, o texto mais visitado neste espaço diz respeito a “venda de órgãos”. Mesmo salientando que trata-se de um crime, um número expressivo de visitantes oferece dados pessoais, tentando vender um rim, por exemplo.

Tendência mundial? Não é exclusividade nossa dar de cara com essa impressionante estatística. Reportagem da BBC reproduzida pelo Portal Terra revela que esse tipo de manifestação é comum em países mais pobres, como nos continentes africano e asiático. Chama a atenção no texto a existência de leilões clandestinos no Peru. Claro que, se procurarmos, vamos encontrar esse tipo de site proibido aqui mesmo, no nosso quintal.

Qual o preço disso? É óbvio que estamos falando de uma idéia ruim. “O problema é que a atividade, além de ser ilegal e apresentar riscos de vida, pode incentivar o crime em grande escala”, lembra o texto da BBC, que complementa, com as palavras de Jaime Delgado, da Associação Peruana de Consumidores e Usuários (ASPEC): “se é possível conseguir órgãos através da Internet ou outra via, então estamos abrindo as possibilidades para que os delinqüentes possam matar qualquer pessoa e traficar seus órgãos”.

Nesse novo ano que começa, após uma insana troca de presentes de Natal, convém lembrarmos que, na nossa lógica de mercado, se tem alguém querendo comprar, sempre terá alguém disposto a vender. E em situações extremas, não é difícil imaginar em tráfico de pessoas, de órgãos, de qualquer coisa. Valorize sua vida, a de seus semelhantes e lembre-se da verdadeira razão de celebrarmos um feliz Natal e um próspero ano novo.

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