Comprar uma chipeira para SMS pirata?!

Acabei de ler em uma antiga edição da Teletime, tradicional revista na área de telecomunicações, um dado espantoso: 150 milhões de mensagens instantâneas enviadas para celulares no Brasil em um mês trafegam em canais não certificados pelas operadoras. É praticamente o mesmo número de SMSs enviados pelas empresas homologadas! Empolgadas com preços baixos (cerca de R$ 0,05 por mensagem, ao contrário dos R$ 0,15 costumeiros), empresas interessadas no serviço compram SMS pirata – muitas vezes sem saber!

O texto revela os caminhos mais comuns dos espertinhos. Um deles é a compra de tráfego pelo exterior, longe dos radares – mas cuja taxa de entrega gira em torno de 30% ou 40% dos textos enviados. No entanto, o método que mais me chamou a atenção, logo pelo nome, atente por chipeira. São máquinas que permitem a instalação de vários SIM cards e realizam disparos simultâneos – uma para oito cartões custa quase R$ 3 mil no mercado paralelo; com 32, uns R$ 4 mil. O texto revela uma curiosa prática europeia: vans com chipeiras que circulam enquanto disparam mensagens em massa, para não congestionar antenas!

E isso é legal? Claro que não! Ainda que as próprias operadoras (especialmente a TIM) adorem um spamzinho via mensagem de texto, qualquer empresa séria que desejar arriscar este canal de comunicação precisam seguir regras de conduta. A entidade que representa este mercado, com um código estabelecido, é a Mobile Entertainment Forum – MEF, e atuação na América Latina inclui denunciar piratas e realizar campanhas. Uma informação simples: repare no número de quem enviou o torpedo. Se forem entre quatro ou seis dígitos (short code), é um SMS legal – quer dizer, legalizado.

Mas isso vai acabar um dia? Infelizmente, por mais que a MEF-LatAm se esforce, ou pessoas como eu e você se informem, vai haver um ciclo medonho de povo comprando e vendendo chipeira no Mercado Livre. Recentemente, mais uma ferramenta contra o SMS pirata começou a funcionar: um site que estimula usuários a denunciarem números desconhecidos. Se não houver um mínimo controle, a praga das mensagens indesejadas chegará a um limite tão insustentável quanto o que há tempos ocorre com e-mail.

Quer ganhar dinheiro com gente trocando mensagens no celular? Que tal inventar algo melhor que o WhatsApp – aliás, se depender desses aplicativos, ninguém mais vai lembrar do SMS.

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